segunda-feira, 3 de maio de 2021

REVOLUÇÃO FRANCESA - PARTE 01

 

    

       Revolução Francesa (em francês: Révolution française, 1789–1799) foi um período de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sobre um ataque sustentado de grupos políticos radicais, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade).

           Em meio a uma crise fiscal, o povo francês estava cada vez mais irritado com a incompetência do rei Luís XVI e com a indiferença contínua e a decadência da aristocracia do país. Esse ressentimento, aliado aos cada vez mais populares ideais iluministas, alimentaram sentimentos radicais e a revolução começou em 1789, com a convocação dos Estados Gerais em maio. O primeiro ano da revolução foi marcado pela proclamação, por membros do Terceiro Estado, do Juramento do Jogo da Péla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho, pela aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em agosto e por uma épica marcha sobre Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Paris em outubro. Os anos seguintes foram dominados por lutas entre várias assembleias liberais e de direita feitas por apoiantes da monarquia no sentido de travar grandes reformas no país.

 

As causas da Revolução Francesa

 

 A Revolução Francesa não aconteceu sem aviso na história da França, tampouco a forma de pensar que norteou os ideais dos revolucionários surgiu do dia para a noite. Entretanto, nem Luis XVI nem a Igreja estavam preparados para o que se iniciou em 1789 e se estendeu até o último ano do século XVIII. Podemos mencionar 4 como sendo as causas principais da revolução:

      01 - O pensamento iluminista;

    02 - A influência da Revolução Americana na economia e no imaginário da França;

      03 - A desigualdade entre diferentes grupos sociais;

      04 - Uma grande crise econômica que gerou fome e mortes.

  

Todas essas razões estão ligadas entre si, mas vamos entender o que foi cada uma.

 O Iluminismo e o Século das Luzes

O Século das Luzes, como ficou conhecido o século XVIII, foi um período com grandes mudanças na forma como as pessoas por toda a Europa lidavam com o conhecimento, e foi o momento do despertar de uma das correntes de pensamento mais importantes da história: O Iluminismo.

O Iluminismo surgiu no começo do século, e teve grande influência sobre os intelectuais e a burguesia daquele período em toda a Europa. Esse movimento defendia valores do humanismo e da razão, colocando o ser humano e a busca pelo conhecimento científico como as fontes das quais deveriam emanar todo o poder e as decisões da sociedade. No pensamento iluminista, não havia mais espaço para monarcas com poderes absolutos nem para a crença religiosa como a fonte para justificar estruturas de poder.

 Os ideais iluministas eram disseminados facilmente por todo o país, com textos circulando por gazetas e folhetins. Essa corrente de pensamento prosperou entre os intelectuais da Europa desde a França, com pensadores como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, e Mostesquieu, até a Itália, Alemanha e Inglaterra, onde viveu John Locke, o “pai do Liberalismo”. Esses nomes são conhecidos até hoje como baluartes da liberdade e dos direitos individuais dos cidadãos.


PESTE NEGRA - 7º ANO

 

 


Sem saber o que causava a enfermidade, as pessoas adotavam práticas artesanais inusitadas em busca de uma cura

 A peste negra é como ficou conhecido o surto de peste bubônica que atingiu todo o continente europeu no período de 1347 a 1353. Acredita-se que essa doença tenha surgido na Ásia Central, sendo levada por comerciantes genoveses que estavam na região da Crimeia. Por conta da sua expansão em um grande território, ela foi considerada uma pandemia.

Os relatos daqueles que viveram no período da peste contam sobre a quantidade de mortos que sucumbiram a essa doença e o desespero das pessoas, que fugiam ou isolavam-se como forma de garantir a sua sobrevivência. Acredita-se que esse surto possa ter causado a morte de até 50 milhões de pessoas.

População usa máscaras para se proteger da peste negra
População usa máscaras para se proteger da peste negra - Wikimedia Commons

A peste negra foi uma pandemia de peste bubônica, uma doença causada pela bactéria Yersina pestis, que é encontrada em ratos. Essa bactéria é transmitida para os seres humanos por meio das pulgas dos ratos, e, quando as pulgas alojam-se em seres humanos, a transmissão acontece. A partir daí, um ser humano pode contaminar outro por meio das secreções do corpo e da via respiratória.

Acredita-se que a peste bubônica tenha surgido em alguma região da Ásia Central, muito provavelmente na China. Ao longo da história, já foram registrados surtos dela, como a peste justiniana, que aconteceu entre 541 e 544 e causou milhares de mortes em Constantinopla, no Império Bizantino.

No contexto do século XIV, esse surto iniciou-se nas terras do Canato da Horda Dourada, especificamente em regiões que atualmente correspondem ao sul da Rússia, tendo contato com os europeus na cidade de Caffa, localizada na Crimeia. Na década de 1340, essa cidade, que era uma colônia de Gênova, estava sendo atacada por tropas tártaras que queriam conquistá-la para o Canato.

Em 1346, os tártaros conseguiram contaminar Caffa, e a disseminação da doença por lá fez os genoveses fugirem da cidade. Assim, esses genoveses levaram a doença por onde passaram, Constantinopla, Sicília, Marselha e Península Itálica. Entre 1347 e 1348, a doença chegou a essas regiões litorâneas da Europa e espalhou-se pelo restante do continente.

Hoje a ciência já mostrou que a trágica Peste Negra, que assombrou a Idade Média, entre os anos de 1346 e 1353, foi causada por uma bactéria, batizada de Yersinia pestis. Acontece que no século 14 ninguém sabia disso. Então, sem esse conhecimento, como será que as pessoas da época reagiram frente à peste?

A doença desconhecida causou muito pânico e mortes, ceifou um terço da população mundial na época. A febre da peste atingia 41 graus, os vômitos eram sanguinolentos, e  muitas pessoas desenvolviam complicações pulmonares, enquanto que outros sortudos se curavam de modo espontâneo. 

Máscara para peste negra / Crédito: Divulgação 

 

Mas, para a maioria, o sofrimento foi tanto que isso apareceria de modo muito recorrente em relatos históricos. Um deles é do poeta Boccaccio, que viveu em Florença, na Itália. Ele fez a seguinte descrição: 

“Em homens e mulheres, [a Peste Negra] ela se manifesta pela emergência de certos tumores nas virilhas e axilas, alguns dos quais chegam ao tamanho de uma maçã; outros, ao de um ovo… Dessas duas regiões do corpo, esses tumores mortais logo começam a propagar-se e a espalhar-se em todas as direções”. 

Amedrontadas e sem saber o que fazer, as pessoas recorriam à receitas e crenças sem embasamento científico para aliviar suas dores. Uma das grandes preocupações era evitar que a enfermidade evoluísse e que surgissem miasmas (odores extremamente desagradáveis, considerados na época como uma das principais causas da infecção). 

Máscara usada pelos médicos durante a epidemia de Peste Negra / Crédito: Wikimedia Commons 

 Para resolver essa questão, a população fabricava grandes chamas, que eram queimadas em esquinas. Muitas pessoas usavam plantas com troncos aromáticos e várias essências, como de alecrim, âmbar e almíscar, além de flores com fragrâncias cheirosas. 

Essas essências eram levadas com as pessoas, que carregavam ervas com elas a todo lugar. Muitos acreditavam que colocá-las nas janelas de suas casas permitiria bloquear a poluição do ar — que eles acreditavam ser a causadora da Peste Negra. 

Outra questão era a dieta. Ninguém comia carne ou figo, considerados alimentos propícios à doença mortal. Atividades físicas que podiam abrir os poros e causar o miasma também estavam proibidas. Fazer sexo e tomar banho estavam entre as tarefas não recomendadas, além não poder tirar sonecas durante o dia. 

Grupo que se flagelava para se castigar pela peste / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Ter pensamentos sobre a morte e a doença também não era algo aconselhável, por mais inevitável que fosse. Havia uma crença, inclusive, que aquela situação era um castigo de Deus. Foi isso que acreditava a irmandade Brotherhood of the Flagellants, que para compensar, se castigava andando pela Europa a pé e praticando autoflagelação. 

Outra reação inusitada frente à peste foram as vestimentas. Pessoas usavam máscaras com formas parecidas com bicos de aves, contendo itens aromáticos. Isso era usado até por profissionais da saúde para se proteger de qualquer tipo de ar contaminado. Outras medidas também incluíam fazer os pacientes sangrarem para tirar aquele veneno, que estaria causando a doença. 

Judeus sendo queimados na fogueira / Crédito: Wikimedia Commons

Desconhecendo as origens biológicas da Peste Negra, as pessoas reagiam também depositando a culpa em grupos sociais marginalizados, por supostamente terem trazido a doença à Europa. Alguns documentos do período incriminavam os judeus pela doença, sendo que alguns deles foram até queimados vivos.

 Nos primeiros séculos, os judeus eram vistos pelos cristãos como pecadores, porque foram eles que pediram a morte de Cristo. Ao longo da história ocorreram muitas perseguições e, quase sempre, os judeus eram obrigados a viver em bairros isolados (comunidades judaicas). Na Alemanha, em 1349, vários judeus foram injustamente acusados de terem causado a Peste Negra e acabaram por confessar, mediante tortura, que tinham envenenado poços de água. Esta notícia espalhou-se e dezenas de comunidades judaicas foram perseguidas.

Outros perseguidos foram os leprosos e os estrangeiros, que eram acusados de terem disseminado a Peste Negra. Mas claro, as condições de vida e higiene nos ambientes urbanos são na verdade as principais causadoras da epidemia.

TEMPO E ESPAÇO - GEOGRAFIA 6 ANO

 


Tudo o que existe se situa num tempo e ocupa um espaço. Tempo e espaço são elementos abstratos.

Quando não podemos perceber um elemento por meio dos nossos sentidos (tato, visão, audição, paladar e olfato), dizemos que esse elemento é abstrato. Abstrato, portanto, é o contrário de concreto, de visível, de facilmente percebível pelos sentidos.

O que é tempo? Tempo é algo que vivemos, representa o momento, o instante, a época em que algo ocorreu ou existiu, ocorre ou existe, ocorrerá ou existirá.

O que é espaço? Cada coisa ocupa um lugar, uma porção específica do espaço. O espaço, refere-se ao lugar que as coisas ocupam e onde os fatos ocorrem.

Podemos medir ou descrever um elemento abstrato usando algumas noções de intensidade ou de distancia. Podemos medir o tempo em segundos, minutos ou horas, dias, semanas, meses ou anos, décadas, séculos, milênios ou até milhões ou bilhões de anos.

O espaço pode ser medido pelo seu tamanho em milímetros, centímetros, metros ou quilômetros.

As grandes transformações que ocorreram e ocorrem no universo e no nosso planeta são extremamente lentas. 

O tempo das transformações naturais terrestres é chamado tempo geológico, que é a duração das mudanças que ocorrem nas rochas, nos rios, nas montanhas, etc.

O tempo da natureza no universo, nas estrelas, nas galáxias, é chamado de tempo astronômico.

As transformações na sociedade humana acontecem mais rapidamente, são realizadas pelo homem. O tempo das transformações humanas, ou o período a partir do qual encontramos vestígios da expressão de fatos ou coisas realizados pelo ser humano na superfície da Terra, é denominado de tempo histórico.


Existem diferentes tipos de espaço como o astronômico e o geográfico.


O espaço astronômico é onde se encontram os planetas, as estrelas, os cometas, etc. Nesse espaço as distancias se medem em milhões ou bilhões de quilômetros. Muitas vezes as distancias são tão grandes que temos de substituir o quilometro por unidades de medida ainda maior denominada ano-luz da Terra. É uma distancia tão grande, medida pela velocidade da luz (300.000 km por segundo) que não é pratico expressá-la em quilômetros.


O espaço geográfico é o espaço que a sociedade humana ocupa, utiliza e transforma. Pode ser dividido em urbano e rural, compreende não somente as áreas que conhecemos e visitamos, mas todos os locais que servem à humanidade.


Tudo o que existe ou acontece situa-se num tempo e num espaço. Um objeto ou um acontecimento para serem reais precisam estar situados no tempo e no espaço. Assim como objetos e acontecimentos, nós, seres humanos, ocupamos um lugar no espaço e situamo-nos no tempo. A humanidade ocupa um espaço, que é o espaço geográfico.


Nem todos os seres humanos vivem e percebem o espaço da mesma forma. Depende da sociedade e da época. Na Antiguidade, ninguém imaginava que a Terra fosse tão grande e que houvesse tantos continentes, mares e ilhas. Nem imaginavam que a Terra fosse redonda e girasse ao redor do Sol.


As diferenças sociais também influem bastante no espaço de vivência. Assim como existem no mundo milhões de pessoas sem residência fixa, existem outras que possuem várias residências.


Os níveis ou dimensões do espaço para essas pessoas são diferentes, mas sempre há alguma semelhança. O espaço de vivência do ser humano possui vários níveis ou dimensões. A menor dimensão do nosso espaço é a nossa casa e a maior é a superfície terrestre, que se encontra atualmente dividida em países ou nações.O espaço geográfico, restringe-se portanto ao nosso planeta.

I GUERRA MUNDIAL - GUERRA DE TRICHEIRAS - 9º ANO - 1º BIMESTRE

 

A Primeira Guerra Mundial começou em julho de 1914, na modalidade de “guerra de movimento”, isto é, a grande movimentação das tropas de ambos os lados do conflito (Tríplice Aliança e Tríplice Entente) com vistas à invasão e ocupação rápida dos territórios inimigos. Porém, esse avanço – que durou ao longo de praticamente todo o ano de 1914 – começou a ser refreado em 1915, quando os estrategistas passaram a privilegiar a defesa das posições conquistadas. Essa fase de defesa das posições ficou conhecida como “guerra de posição”, mas também levou o epíteto de “guerra de trincheiras”, já que as trincheiras – que eram longos corredores de valas cavadas no solo – serviam como “cordões” demarcadores dessas posições.

O general alemão Erich von Falkenhayn ficou famoso por ter elaborado definições para a “guerra de trincheiras”. Segundo ele, o “primeiro princípio da guerra de posição deve ser o de não ceder nem um centímetro de terreno; e, no caso de perdê-lo, retomá-lo imediatamente por meio do contra-ataque, mesmo à custa do último homem”. Isso explica os motivos pelos quais a guerra tornou-se tão mortífera a partir de 1915. A vida nas trincheiras era absolutamente extenuante e insalubre para os soldados. Além disso, os constantes bombardeamentos com balas de canhão, o uso de gases tóxicos e os vários erros táticos por parte dos dois lados da guerra provocaram um índice de mortandade muito grande, sobretudo em batalhas como a de Ypres e de Somme.

As dinâmicas das batalhas durante a “guerra de trincheiras” obedeciam ao critério do avanço lento da infantaria – que saía das trincheiras em dia e horário determinado pelo alto-comando – sobre a chamada “terra de ninguém”, o espaço interposto entre as duas posições inimigas. Ocorre que os buracos no solo causados pelos bombardeamentos, a chuva, a neve e os cadáveres apodrecidos tornavam essas “terras de ninguém” em um cenário de terror. Por outro lado, na medida em que os soldados avançavam sobre as linhas inimigas, as metralhadoras automáticas estraçalhavam-nos como papel. Como narra o historiador Modris Eksteins, em sua obra A Sagração da Primavera: a Grande Guerra e o nascimento da Era Moderna:

O favo de crateras da terra de ninguém rapidamente destrói qualquer ordem planejada. Os homens escorregam e caem. A linha se dispersa. Alguns se levantam e continuam. Outros não podem. Na lama de Passchendaele, em 1917, alguns homens se afogam nas imensas crateras que mais parecem bueiros cheios de lodo proveniente das chuvas, da terra e da decomposição. Alguns só então começam a ouvir as balas. Outros sentem o fedor, um cheiro irresistível que emana de cadáveres que o fogo da barragem trouxe à superfície. Alguns são atingidos. A corrida ao parapeito foi perdida. O campo está sendo varrido por metralhadoras, tragado pelo fogo dos morteiros e esquadrinhado pelas balas dos fuzis.

O historiador prossegue, descrevendo a tensão psicológica sentida, individual e coletivamente, pelos soldados:

“Outros homens caem. Alguns gritam. A maioria está calada. Os feridos raramente sentem dor no início. Os oficiais tentam manter a coluna unida. Mas esses homens no limbo da terra de ninguém, estes “errantes entre dois mundos”, nem precisam de encorajamento, pois isolamento nesta situação significa medo. Só no grupo existe alguma segurança emocional, algum alívio. Na verdade, os atacantes tendem a se aglomerar, a formar grupos para obter proteção mútua”.

Percebemos, assim, que a “Grande Guerra” foi o sepultamento dos códigos de honra e da possibilidade de haver sentido e heroísmo nos combates entre nações.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

A I GUERRA MUNDIAL (I Parte)

 

  O Imperialismo consiste numa política de expansão e o domínio territorial, cultural e econômico de uma nação sobre outras. A razão básica da colonização era econômica. A Europa tinha vários países passando pela Revolução Industrial, que necessitavam de matérias-primas essenciais para a industrialização, tais como carvão, ferro e petróleo; produtos alimentícios, normalmente carentes na Europa; mercados consumidores para os excedentes industriais; e locais para o investimento de capitais disponíveis na Europa, principalmente na construção de estradas de ferro e exploração de minas. 

Em termos sociais, a colonização era uma válvula de escape para a pressão demográfica. No plano político, o motivo essencial era a preocupação dos Estados europeus em aumentar seus contingentes militares.. Essas mesmas nações expandiram significativamente seu território em direção a outros continentes, sobretudo ao Asiático, ao Africano e à Oceania. A Inglaterra, por exemplo, integrou grandes países ao seu Império, como a Índia e a Austrália. Todo esse processo é conceitualmente tratado pelos historiadores como Imperialismo e Neocolonialismo. Nesse cenário se desencadearam os principais problemas que culminaram no conflito mundial.

Países de potência imperialista com maior porte utilizavam-se de suas armas para reprimir revoltas que ocorressem em seus domínios coloniais, já aqueles de menor domínio, se apropriavam de suas armas para expandir seu processo de colonização. A rivalidade entre tais países baseava-se nisso e a expansão dos arsenais de tais países serviu de cenário para a guerra que veio a ocorrer. Assim, os países da Europa que estavam envolvidos nesse processo compuseram alianças: de um lado estava a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia), do outro a Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Imperio Austro-hungaro).

Nesse contexto surge a Paz Armada. Esta, foi a expressão usada para descrever um período da história política da Europa, que antecedeu à Primeira Guerra Mundial, onde havia uma intensa corrida armamentista, quando o bloco da Tríplice Aliança (formada por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália) e a Tríplice Entente (formada pela Rússia, França e Inglaterra ampliavam sua capacidade bélica). A indústria bélica aumentou os seus recursos, produzindo novas tecnologias para a guerra e quase todas as nações europeias adotaram o serviço militar obrigatório. A Paz Armada (1871-1914) foi muito importante para a Primeira Guerra Mundial, uma vez que as tensões entre os Estados os levaram a gastar grande parte de seu capital para investimentos na indústria do armamento e da promoção do exército, resultando em um complexo sistema de alianças em que as nações estavam em conflito, sem estar em guerra, por isso o nome do conflito de Paz Armada.

 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

FEUDALISMO E SOCIEDADE FEUDAL (1º BIMESTRE - 7º ANO)

 


          Feudalismo é o nome dado à forma de organização econômica e social vivenciada na Europa Centro-Ocidental durante o período histórico conhecido como Idade Média, entre os séculos V e XV. O nome é derivado dos feudos (ou vilas), as unidades de habitação e produção que eram características do período. Essas grandes propriedades agrárias demonstraram que houve um processo de ruralização da sociedade que habitava o continente europeu e as ilhas Britânicas, bem como uma passagem da organização do trabalho pautada no escravismo para a servidão.

 Comparada aos dias de hoje, a sociedade feudal é reconhecida por uma mobilidade social bastante restrita. Em outras palavras, isso quer dizer que o indivíduo pertencente a uma determinada ordem acabaria se mantendo nela até o fim de sua vida. Dividia em três diferentes nichos, a sociedade dessa época está genericamente repartida entre clero, nobreza e campesinato.

Do ponto de vista cultural, a estabilidade desse modelo de organização pode ser compreendida através do forte sentimento religioso da época. Segundo a pesquisa de historiadores do quilate de Georges Duby, a organização social da Idade Média era encarada como um desígnio divino que deveria ser passivamente seguido por todos os cristãos. Ir contra as desigualdades e a exploração dessa época significava afrontar uma harmonia proveniente dos céus.

O clero ocupava o topo dessa hierarquia social. Entre os fins da Antiguidade e início da Idade Média, a Igreja estruturou um conjunto de normas que permitiu a disseminação do cristianismo por todo o mundo europeu. Além disso, os membros dessa ordem tinham grande influência entre os grandes proprietários e reis desse período. Ao longo do tempo, a própria instituição acumulou terras e conhecimento em uma época em que a leitura e a escrita era privilégio de poucos.

Logo em seguida temos a presença da nobreza, que detinha o controle sobre os feudos e todo o cenário político da época. Os grandes proprietários eram integrantes da alta nobreza, reconhecida pelos títulos de rei, príncipe, arquiduque, duque, marquês e conde. Abaixo tínhamos a pequena nobreza, sendo composta pelos viscondes, barões e cavaleiros. Estes últimos eram os mais expressivos representantes das forças militares que asseguravam a proteção das propriedades.

A maioria da população feudal era composta por camponeses. Eles eram responsáveis pelo trabalho nas terras e pela produção agrícola. Na maioria dos casos, os camponeses trabalhavam em regime de servidão e se submetiam às exigências de um senhor feudal. Vinculados a uma dura rotina de serviços, muitos camponeses esperavam que a penúria no mundo terreno fosse recompensada pela salvação de suas almas.

Além desses representantes fundamentais da sociedade medieval, ainda podemos falar sobre a existência dos vilões e dos escravos. O vilão era um indivíduo livre que oferecia sua força de trabalho temporariamente a um senhor feudal. Dessa forma, poderia transitar entre diferentes propriedades e estava livre dos vínculos servis tradicionais. Já os escravos eram bastante escassos nessa época e geralmente ficavam responsáveis pela realização de trabalhos domésticos.

DESPOTISMO ESCLARECIDO (8º ANO - 1º BIMESTRE)

 

 



 
 O despotismo esclarecido foi uma forma de governo inspirada em alguns princípios do Iluminismo europeu. O fenômeno ocorreu em certas monarquias da Europa continental, sobretudo a partir da segunda metade do XVIII.

Origem

A expressão “despotismo esclarecido” foi cunhada pelo historiador alemão Wilhelm Roscher, em 1847, portanto, não foi contemporânea a tal política.

O historiador, com este termo, queria explicar uma série de governos que adotaram vários princípios iluministas como o racionalismo, os ideais filantrópicos e o progresso.

No entanto, estes mesmos governos não fizeram nenhuma concessão à limitação do poder real ou expandiram os direitos políticos para as demais camadas da população. Por isso, ele é também conhecido por "despotismo benévolo" ou "absolutismo esclarecido".

Despotismo & Iluminismo.

O surgimento das teorias iluministas, conforme sabemos, serviu de base para a maioria dos argumentos que criticaram a vigência dos regimes absolutistas europeus. Por conta de suas justificativas religiosas e a opressão do poder centralizado, o regime monárquico era visto como um enorme entrave para o desenvolvimento de uma sociedade igualitária e racional. Dessa forma, podemos chegar ao ponto de acreditar que os regimes absolutistas tinham completa aversão às teorias do iluminismo.

Apesar de coerente, essa impressão não refletiu certeiramente as diferenças perceptíveis nas obras de alguns iluministas. Voltaire, por exemplo, apesar de defender a limitação dos poderes atribuídos ao Estado, não via com bons olhos a ampliação das instâncias de participação política da população. Contrário à transformação política radical, prefere que as monarquias sejam reformadas ao adotarem princípios de orientação sustentados pela lógica e pela razão.

Não por acaso, essa ideia apontada pelo autor francês trilhou o caminho pelo qual diversos monarcas da Europa permitiriam a incursão de assessores e ministros influenciados pelo ideário iluminista. Entre outras mudanças, as reformas estabelecidas por esses funcionários tinham como objetivo modernizar o funcionamento do Estado, ampliar o número de instituições de ensino e possibilitar o desenvolvimento da economia nacional.

Curiosamente, o despotismo esclarecido parecia fazer uma escolha pontual das ideias do iluminismo, afastando qualquer tipo de medida que viesse a ameaçar ou diminuir a autoridade do rei em seu país. Além disso, no momento em que pregava a expansão das atividades econômicas, o despotismo esclarecido acabou amenizando as tensões políticas que pudessem se colocar entre a burguesia e a realeza.

Observado o desenvolvimento de tal tendência na Europa, podemos compreender que a penetração de valores iluministas nos governos monárquicos não aconteceu de forma semelhante. Na França, o amplo poder real e a irredutibilidade mediante as manifestações populares criaram o ambiente de tensões que desembocou no desenvolvimento da Revolução de 1789. Décadas mais tarde, as outras monarquias ruíram por meio da inspiração francesa.

Entre os principais governos marcados pelo despotismo esclarecido, podemos destacar os monarcas Catarina II da Rússia, Dom José II de Portugal (influenciado pelo ministro Marquês de Pombal), Frederico II da Prússia, José II da Áustria e Carlos III da Espanha (orientado pelos conselhos do ministro Conde de Aranda).

PRÉ-HISTORIA ( 6 ANO - 1º BIMESTRE)

         A Pré-História é o período que acompanha a evolução da Terra, do homem e todos os seres vivos. O estudo da Pré-História permite-nos acompanhar o desenvolvimento e a evolução dos primeiros hominídeos até o surgimento de ferramentas que possibilitaram o aperfeiçoamento no estilo de vida dos seres humanos.

        A Pré-História tem como ponto de partida o surgimento dos primeiros hominídeos e encerra-se quando é desenvolvida a primeira forma de escrita pela humanidade — marco que aconteceu entre 3500 a.C. e 3000 a.C. Esse período é dividido, basicamente, em Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.

         Um dos grandes marcos da Pré-História é o surgimento do homo sapiens sapiens, a nossa espécie humana, que apareceu há 300 mil anos AP (Antes do Presente — unidade temporal definida pela Arqueologia tendo como base o ano de 1950 d.C.).

  Divisão da Pré-História

           A Pré-História é um período da história humana particularmente grande. A sua nomenclatura e larga duração remetem ao século XIX, quando os primeiros vestígios da vida humana pré-histórica começaram a ser encontrados. Isso porque no século XIX existia a noção de que a História só poderia ser feita por meio de documentos escritos e, assim, todos os acontecimentos anteriores ao surgimento da escrita ficaram conhecidos como “Pré-História”. A Pré-História abrange, aproximadamente, um período que se estende de 3 milhões de anos atrás a 3.500 a.C.

PALEOLÍTICO

 O período Paleolítico é conhecido também como Idade da Pedra Lascada e esse nome faz referência aos objetos que eram utilizados pelo homem para sua sobrevivência, que eram produzidos exatamente de pedra lascada. Esse período estendeu-se de 3 milhões de anos atrás a 10.000 a.C. e foi subdividido em três fases que são Paleolítico Inferior, Médio e Superior.

Cada um desses períodos possui as suas particularidades e veremos um breve resumo de cada uma delas, começando pelo Paleolítico Inferior. Esse período começa a ser contado exatamente quando os hominídeos começaram a ter a habilidade de produzir as primeiras ferramentas para sua sobrevivência.

Essas ferramentas foram obra do homo habilis e do homo erectus (o primeiro hominídeo a ficar numa posição totalmente ereta). Essa fase estendeu-se de 3 milhões de anos atrás a 250 mil anos atrás.

O Paleolítico Médio compreendeu o período de 250 mil anos atrás a 40.000 a.C. e é caracterizado, principalmente, pela presença do homem de Neandertal. O homo sapiens já existia nessa época, uma vez que seu surgimento aconteceu há 300 mil anos. Os estudos arqueológicos mostram que nesse tempo o estilo de vida do homem tornou-se um pouco mais sofisticado com novas ferramentas sendo elaboradas e com o uso do fogo sendo mais difundido.

Por fim, há também o Paleolítico Superior, que foi de 50.000 a.C. a 10.000 a.C. Nesse período, as ferramentas utilizadas pelo homem passaram a ser elaboradas em grande diversidade. Eram produzidos pequenos anzóis, machados, agulhas e até mesmo a arte começou a ser concebida pelo homem. No caso da arte, o destaque vai para a pintura rupestre, realizada nas paredes das cavernas.

Pintura rupestre realizada na parede de uma caverna localizada na Tailândia.
Pintura rupestre realizada na parede de uma caverna localizada na Tailândia.

Abrangendo os três períodos, resumidamente, o Paleolítico é um período em que o homem sobrevivia da coleta e da caça, sendo fundamental, no caso da caça, a elaboração de ferramentas para auxiliá-lo na obtenção do alimento. Por depender da caça e coleta, o homem era nômade e mudava de lugar quando os recursos do local que estava instalado ficava escasso.

Como a temperatura geral da Terra era mais amena, sobretudo nos períodos de glaciação, o homem vivia nas cavernas para proteger-se do frio. As ferramentas utilizadas poderiam ser feitas de ossos, pedras e marfim. No fim do Paleolítico, o ser humano começou a experimentar as primeiras experiências religiosas, e o desenvolvimento do estilo de vida dos homens fez com que eles desenvolvessem rituais funerários, por exemplo.

No mundo houve glaciações intensas. Aconteceu na Europa e em partes da Ásia e estendeu-se, aproximadamente, entre 13.000 a.C. e 9.000 a.C. Esse período marcou a decadência dos agrupamentos humanos que viviam exclusivamente da caça em detrimento daqueles que eram caçadores e coletores. Ficou marcado também pelo desenvolvimento da olaria (produção de cerâmica) e da técnica para produção de tecidos. Considera-se o fim desse período o momento em que a agricultura foi desenvolvida.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

MARTINHO LUTERO E O HOLOCAUSTO NA ALEMANHA NAZISTA

Em Sobre os judeus e suas mentiras, líder da Igreja Protestante vocifera ideologia que foi disseminada por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

No início de sua carreira, Martinho Lutero era, aparentemente, solidário em relação à resistência judaica à Igreja Católica. No entanto, o religioso esperava que os judeus se convertessem ao movimento protestante. Como eles não fizeram, o monge agostiniano se voltou violentamente contra o povo.
A raiva e desgosto de uma das figuras centrais da Reforma Protestante foi registrada no livro Sobre os judeus e suas mentiras, tratado escrito pelo teólogo em janeiro de 1543. Na escrita, Martinho defende a perseguição de judeus; a queima de sinagogas e escolas judaicas; a destruição de bens religiosos; a proibição de rabinos pregarem e o confisco de dinheiro.
"Esses vermes envenenados e venenosos devem ser recrutados para trabalhos forçados ou expulsos de uma vez por todas”. O religioso também parece incitar o assassinato dos judeus aos escrever: “temos culpa em não matá-los”.

No tratado, Lutero diz que aqueles que aderem ao judaísmo “devem ser considerados como sujos” e que eles são “cheios de fezes do diabo... que chafurdam como um porco”. O protestante também afirma que a sinagoga é um “prostíbulo incorrigível”.  Diz o livro nas páginas 34-36:

“Que devemos, pois, fazer, nós cristãos, com esse povo rejeitado e amaldiçoado dos judeus? [...] Não podemos apagar o inextinguível fogo da ira divina [...] nem converter os judeus. Com oração e temor a Deus devemos exercer uma misericórdia afiada, para porventura salvar alguns das chamas e do braseiro. Nós não devemos nos vingar. Eles já estão com a vingança ao pescoço, mil vezes pior do que lhes podemos almejar.
Quero, [porém,] dar [às autoridades políticas] meu conselho fiel. Por conseguinte, não pode nem deve ser para nós cristãos uma brincadeira, mas matéria de grande seriedade buscarmos conselho contra essa realidade, a fim de salvarmos nossas almas dos judeus, isto é, do diabo e da morte eterna. E [o conselho] é este:Primeiro: Que se incendeiem suas sinagogas, e, quem puder, jogue enxofre e piche. E quem pudesse também lançar fogo infernal, seria igualmente bom. A fim de que Deus possa ver nossa seriedade e todo o mundo tal exemplo, de modo que se até agora temos tolerado em ignorância tais casas (em que os judeus têm blasfemado tão vergonhosamente contra Deus, nosso querido criador e pai, com seu Filho), agora lhes temos dado sua recompensa.. 
Em segundo lugar, suas casas também deveriam ser demolidas e arrasadas... 
Em terceiro, que se lhes tomem todos os seus livros — livros de oração, escritos talmúdicos, também toda a Bíblia —, sem deixar uma folha sequer, e que sejam preservados para aqueles que se converterem. ... 
Em quarto, os rabinos deveriam ser proibidos de ensinar, sob pena de morte... Que lhes seja proibido, sob pena de perderem o corpo e a vida, de louvar a Deus, dar-lhe graças, orar, ensinar publicamente entre nós e em nosso país. Podem fazê-lo em seu próprio território ou onde o puderem, sem que nós cristãos precisemos ouvi-lo ou disso tomar conhecimento. [...] Que lhes seja proibido pronunciar o nome de Deus em nossos ouvidos, pois nós não podemos ouvi-lo ou tolerá-lo de boa consciência. [...] E quem ouvi-lo de parte de algum judeu, denuncie-o à autoridade ou lhe atire excremento de porco quando o vir, afugentando-o. Ninguém seja misericordioso ou bondoso nesse particular, pois estão em jogo a honra de Deus e a salvação de todos nós
Em quinto lugar, os passaportes e privilégios de viagem deveriam ser absolutamente vetados aos judeus...
 Em sexto, eles deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem [cobrança de juros extorsivos sobre empréstimos]... 
Em sétimo lugar, os judeus e judias jovens e fortes deveriam pôr a mão na debulhadeira, no machado, na enxada, na pá, na roca e no fuso para ganhar o seu pão no suor do seu rosto...
Deveríamos banir os vis preguiçosos de nossa sociedade ... Portanto, fora com eles... Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus."

 O próprio Lutero não queimou Judeus vivos, mas algumas de suas recomendações foram colocadas em práticas pelo regime de Hitler. O regime nazista queimou sinagogas e escolas judaicas, submeteu os judeus a trabalho forçado e confiscou seus bens e os proibiram de sair às ruas. Em um exemplo, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938 paramilitares nazistas atacaram sinagogas e estabelecimentos de judeus, passando para a história como “A Noite dos Cristais” por causa dos estilhaços dos vidros das janelas e vitrines. Durante a Segunda Guerra Mundial, cópias do livro foram exibidas pelos alemães em comícios e reuniões em Nuremberg, e o consenso acadêmico predominante é que o livro teve um impacto significativo no Holocausto. Julius Streicher, editor do jornal nazista Der Stürmer, descreve a obra como o tratado mais radicalmente antissemita já publicado.  "Hitler não teria sido possível, sem Martinho Lutero". (maior figura da reforma protestante) declaração publica do Pastor Wilhelm Rehm de Reutlingen em 5 de outubro de 1933.
“Dentre os 17.000 pastores evangélicos da Alemanha, nem 1% se negaram a apoiar o regime nazista”. (Fonte: History of Christianity, de Paul Johnson).


“Embora [Lutero] se rebelasse contra a autoridade religiosa, poderia ser extremamente intolerante com quem dele discordasse em assuntos religiosos. Possivelmente foi devido em parte à sua intolerância o fato de as guerras religiosas terem sido mais ferozes e sangrentas na Alemanha do que, digamos, na Inglaterra. Além disso Lutero era feroz antissemita, tendo talvez, a extraordinária virulência de seus escritos sobre os judeus preparado o caminho para o advento de Hitler na Alemanha do século 20”, explica o historiador Michael H. Hart.

Lutero foi considero por Hitler, em seu Mein Kampf, como uma das três principais figuras da Alemanha — ao lado de Frederico, o Grande, e Richard Wagner. “Os escritos posteriores de Lutero, atacando os judeus, eram tão virulentos que os nazistas os citavam frequentemente”, explicam Dennis Prager e Joseph Telushkin no livro Why the Jews? (Por Que os Judeus?, em tradução livre).
Em contraponto a essa visão, o teólogo Johannes Wallmann escreve que o tratado não teve continuidade de influência na Alemanha e foi de fato amplamente ignorado durante os séculos 18 e 19. Já Hans Hillerbrand corrobora ao argumentar que focar no papel de Lutero no desenvolvimento do antissemitismo alemão é subestimar “a mais grande peculiaridade da história alemã”.

 Por fim, é certo explicar que, desde a década de 1980, alguns órgãos da Igreja Luterana denunciaram formalmente o escrito e buscaram dissociar o tratado de Lutero sobre os judeus de sua doutrina.
No 60º aniversário de Kristallnacht, a Igreja Luterana da Baviera, que ocorreu em novembro de 1998, a entidade emitiu uma nota afirmando que “é imperativo para a Igreja Luterana, que sabe que é endividada ao trabalho e a tradição de Martinho Lutero, de levar a sério também as suas declarações antijudaicas, reconhece a sua função teológica, e reflete nas suas consequências. Temos que nos distanciarmos de cada [expressão de] antissemitismo na teologia Luterana”.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

6º ano - RELIGIAO NA MESOPOTÂMIA





A mesopotâmia é uma região de planalto de origem vulcânica localizada no oriente médio, entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, e que hoje é definido como o território do Iraque. Foi considerada uma sociedade muito organizada e que é conhecida pelas inúmeras cidades–estados. Tais cidades eram muito parecidas com as cidades gregas em termos de independência e autonomia. 

 

Cada cidade-Estado era governada por um patési, que, além de sumo sacerdote, era o chefe político e militar. O patesi alegava ser o vice-rei na terra de seu deus, e que ainda estava dentro do limite de seus próprios domínios. No Egito o Faraó era um deus na terra. Na Mesopotâmia, o Patesi representava os deuses na terra. 


Na questão religiosa a Mesopotâmia era bastante diversificada, onde estavam presentes várias crenças e divindades. Muitas delas podem ser encontradas nas formas mais variadas, podendo ter sua imagem vinculada a figura humana, ou, como na maioria das vezes, tinha características relacionadas a elementos da natureza. Podemos citar aqui algumas dessas divindades como Shamash, que era considerado o deus do sol e da justiça. Anu, considerado senhor dos céus. Sin, considerado deusa da lua. E Ishtar, considerada deus da guerra e do amor.

Uma característica importante da religião mesopotâmica é que ela própria tinha característica dualista, onde era possível encontrar sempre o bom e o ruim, o bem e o mal e buscando sempre tentar compreender essa relação, utilizavam de métodos não convencionais para uma religião como a adivinhação, a magia, e a astrologia. A religião mesopotamica também permitia que em diversas cidades de seu domínio, acreditasse fielmente na vida após a morte e assim desenvolveram vários ritos funenários. Tinham o costume de enterrarem os mortos com alguns objetos pessoais dentro da tumba, e uma outra caracteristica interessante de ser citada é que atraves da própria tumba onde o falecido foi colocado poderia nos indicar a condição financeira dele e da família. Ou seja, se o defunto fosse rico, obviamente sua tumba seria mais requintada do que de um pobre mesopotamico.

A morte parecia ter uma grande importância nessa cultura, fato que nos levam a concluir isso é a observação de sua literatura, onde através de narrativas miticas escritas por eles podemos localizar a sua crença de que os mortos passavam para um mundo subterrâneo, mostrando a crença na morte como algo místico. Misticismo que também é muito encontrado na literatura mesopotamica, onde no texto “O mito da criação” relatam a origem do mundo através de feitos de Marduk, que era uma das principais divindades mesopotamicas.